01 mai 2012
Com a comemoração de dois anos veio uma variante de formato pro convescote que foi apreciavelmente cativante. Quem acompanha estes dois anos de convescote sabe bem que duas coisas sempre acontecem em cada edição: Nunca começa na hora prometida e que o debate sempre rola solto, até o palestrante ter que cortar a conversa para seguir a apresentação porque já está tarde. Nesse aniversário o convescote resolveu fazer algo de diferente, {não! ele não resolveu ficar em casa, na piscina, tomando uns bons drink.} quebrar esta regra de atrasos e interrupções de debate. Isso porque desta vez não foram dois conteúdos sendo apresentados por palestrantes e sim, uma mesa redonda discutindo design e educação.
Nessa mesa contamos com nada mais, nada menos que Fabio Palma, diretor do IED, que vem brigando para conseguir inaugurar oficialmente o Istituto Europeo di Design no bairro da Urca aqui no Rio de Janeiro. Simone Formiga, que é professora de diversas matérias na PUC enquanto faz seu doutorado meio no Brasil, meio em Portugal. Nosso já conhecido Pedro Segreto, e pra finalizar a mesa, tivemos a presença virtual de Alexander Czajkowski, que faz parte do coletivo que criou o documentário “A Folha que sobrou do Caderno”, falando exatamente sobre o ensino de design em diferentes regiões do país.
E foi com o filme começando pontualmente às 21h que startamos o convescote XXIV e pra ficar bem interado do que foi falado você pode dar um pause na leitura e um play no vídeo aqui embaixo.
30 mar 2012
Escutei outro dia um adjetivo à Caos! que achei muito peculiar: paradoxo. Por que se chama caos porém vive em perfeita harmonia. E o nosso convescote de março retratou exatamente um paradoxo. Um paradoxo de apresentações que pros finalmentes deste post vocês entenderão.
A primeira apresentação foi do libertário Ícaro dos Santos, discursando sobre o texto de Hakim Bey, TAZ – Zonas Autônomas Temporárias. O texto fala sobre novos sistemas organizacionais da sociedade, onde indivíduos com interesses comuns se unem em um espaço determinado convencional, público ou particular, para exercer sua filosofia de vida nirvanesca.
Um dos objetivos entendidos, foi que estes indivíduos buscam sempre um estado de espírito novo, melhor que o usual, de felicidade e prazer, mesmo que momentâneo. E por isso sendo “invisíveis” as leis e governos. E prazer, porque muitos dos exemplos citados eram sobre orgias sexuais em meio ao espaço público. Pode parecer um tanto inovador ou até agressivo pra quem não está participando, mas o Ícaro cita no vídeo abaixo que o objetivo principal é a liberdade.
Essa doutrina de Raul Seixas assusta à primeira vista. Mas possui um embasamento interessante em alguns aspectos. A TAZ se diz numa hierarquia horizontal, onde todos são iguais. Podendo então, criar sua própria moeda ou meio de escambo para conviver em harmonia. E cá convenhamos, se você consegue juntar um grupo de pessoas com o mesmo interesse em comum por um determinado momento, você está vivendo o seu momento TAZ. Exemplo: passar um final de semana em meio à serra curtindo banho de rio, compartilhando músicas, sorrisos, comes, bebes e fumos com amigos.
A única questão mais difícil é a invisibilidade, onde a TAZ deve acontecer sem ser descoberta pelo Estado. Por isso estas zonas auntônomas temporárias; bacanais, encontros, festivais; são móveis. Acontecem em diferentes lugares para não serem impedidos. A TAZ é um tanto utópica no sentido que se imagina uma intensificação da vida cotidiana. Porém no sentido literal do termo não, porque ela existe em algum lugar.
Então ele apresentou o seu projeto de TAZ (calma gente, não acontece nenhum bacanal como estava parecendo até agora), a Nuvem Móvel. No qual as pessoas se reunem com suas bicicletas fantasiadas em um ponto de encontro e saem pedalando embalados por um esquema de som (que só existe por recursos arrecadados de forma autônoma) até um espaço público onde se ocupa uma festa.
E no segundo round do convescote o jogo virou de verdade. Paulo Botelho veio pra nos apresentar o Estúdio Ícone e já de cara esplanou sua distância ao mundo utópico da TAZ. O foco do Estúdio Ícone é o lado comercial, sua intenção principal sempre foi o lucro. Após distribuir os cartões de visita, explicou que focam em 100% para mídia impressa, trabalhando com ilustração 2D e 3D, tratamento de imagem e concept art para agências que precisam destes trabalho com qualidade visual, mas sem trabalhar no conceito. Então o negócio funciona assim: a agência trabalha sua parte criativa, fazem todo o conceito e idéia a ser realizada e contratam o Estúdio Ícone para executar o trabalho. Lógico que eles possuem sua parte criativa de adicionar um elemento ou finalizar o trabalho em um ângulo diferente do briefing original, mas o que é vendido é a execução da parte visual do trabalho.
Um nível de semelhança ao TAZ é que o Estúdio Ícone tenta trabalhar numa hierarquia horizontal pra deixar todos os funcionários gostando de trabalhar por mais que eles não possam ter a liberdade de criação na maioria das vezes. Mas ele não deixou de dizer que em muitos momentos é determinante a sua colocação como superior, coordenando os subordinados.
Um de seus melhores depoimentos sobre seu começo foi a questão de aceitar qualquer tipo de trabalho. De jobs solicitados para a semana anterior à trabalhos grátis, e assim conseguiu formar a sua gama de clientes. Vimos que ele apresentou trabalhos até para o Restart, o que certamente gerou algumas risada no quintal da Caos!. E alguns jobs vieram por sorte e esperteza de se vender no momento certo, como o exemplo do Rock in Rio. O Estúdio Ícone foi chamado para fazer o 3D do mapa da cidade do rock, e quando estava lá mapeando o local com os organizadores percebeu ter um tempo livre com eles e sugeriu apresentar seu portfolio. Os caras se amarraram e o estúdio conseguiu a conta de toda a identidade do Rock in Rio. Fizeram versões da famosa logo em diferentes estilos de 3D, os que explodiam, os que eram mais gasosos coloridos, ou branco gelados, etc. E isso serviu posteriormente para identificar cada tenda e palco do evento.
Em meios a gritos de gols tricolores em cima do Boca Junior lá na bombonera, ele nos apresentou toda as etapas do processo para se chegar a um personagem 3D. Onde apresentava inicialmente rabiscos variados a lápis, que após retorno do cliente era geralmente mesclado com detalhes de cada rafe, passava ainda por um outro processo de pintura digital para então chegar ao 3D já melhor estruturado. O cara do 3D não precisa pensar nem na cor, nem na textura do tecido, só em modelar e posicionar a camera exatamente como na ilustração pré aprovada.
Para finalizar mostrou um pouco de dentro do estúdio com um vídeo que uma produtora de alunos do Senac fizeram com o Ícone. Pra encerrar com chave de ouro ganhamos as canecas brinde da Ícone que agora fazem parte do enxoval caostico.
Acho que deu pra entender a questão paradoxal deste convescote, né? O melhor do encerramento, foi a fechadura de diamante. Quando Pedro Segreto soltou a memorável pérola:
- Eu diria que a Caos! está entre a TAZ e o Estúdio Ícone em uma posição razoavelmente equilibrada.
24 jan 2012
The Semantic Web is a collaborative movement led by the World Wide Web Consortium (W3C) that promotes common formats for data on the World Wide Web. By encouraging the inclusion of semantic content in web pages, the Semantic Web aims at converting the current web of unstructured documents into a “web of data”. It builds on the W3C’s Resource Description Framework (RDF).[1]
According to the W3C, “The Semantic Web provides a common framework that allows data to be shared and reused across application, enterprise, and community boundaries.”[1]
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- Nice reading on Semantic Search (ivan-herman.name)
14 dez 2011
O Convescote de novembro foi super instrutivo! Já não consigo mais saber o número e até pretendo lançar uma campanha pra se contar isso de um jeito mais possível, porque aparentemente a coisa veio pra ficar (o Convescote da Caos!) e como vamos fazer contando assim? Convescote número MDCCLXXVI? (para quem não lê algarismos romanos Mil + Quinhentos + Cem + Cem + Cinquenta + Dez + Dez + Cinco + Um??).
Vou em ordem de apresentação, nessa edição de presenças físicas reais, depois de algumas edições via Skype, o que expandia as barreiras geográficas mas dificultava a interação, esse Convesca foi interação total!:
Começamos com a Isabel que mostrou o projeto final de graduação dela no design da PUC, um trailer de livro (e quem sabia que isso existia?). Pra quem ainda não sabe, trailer de livro é um trailer, tipo de filme, mas que pretende vender um livro. O que complica bem o processo, como a Bel bem explicou: um filme é imagem. Um livro não. Se você entregar uma imagem ao futuro leitor de um livro, ele não tem mais a liberdade de inventar a imagem dele. É como quando lemos um livro maravilhoso e depois vimos sua adaptação para filme. Raras exceções, o livro é sempre melhor: porque com ele fantasiamos o que mais nos é caro. O filme nos entrega aquela fantasia do modo como o diretor fantasiou e normalmente a nossa fantasia era beeeeem mais bonita!
A Bel mostrou então o processo por dentro – e quanto trabalho dá! – de onde ela partiu, de que livro ela queria falar e porque, o que ela leu, como ela queria inspirar o leitor, como ela não queria entregar a imagem e como ela decidiu fazer isso, como ela caracterizou as duas personagens de quem resolver tratar e que imagem delas resolveu dar (os pés!) e porque, mostrou as primeiras filmagens, os ‘desenhinhos’ por cima – não lembro como chama –, a trilha sonora, as fontes para cada personagem, as transições de uma para outra, as cores de cada uma, as vozes. Um trabalheira danada, mas o resultado final ficou liiiindo.
Aprendi o que era, vi como fazer e vi bem feito: Convescote instrutivo!!
A segunda apresentação foi ‘Como usar HTML5 sem uma Máquina do Tempo‘ do Zeno Rocha, bem mais barulhenta!
(p.s. sobre a performance, sim, porque só consigo chamar assim, do Zeno! Inenarrável! Primeiro porque não consigo esquecer a chegada dele na Caos! há alguns anos, um menino tímido, batalhador, de uma família que ralava e que veio pro Rio, de Curitiba, pra ralar. Zeno não usava a cozinha da Caos!, ia nos inúmeros churrascos e ficava sempre meio calado, ia embora cedo porque morava longe e a bebedeira parecia não lhe agradar muito. Aí ele virou o cabeçudo do WP (wordpress), aí ele começou a pegar uns bicos por fora, aí ele dormia pouco pra dar conta de tudo, aí um dia ele abriu uma empresa dele, dormia sempre menos, e um belo dia, cheio de culpa, chegou para avisar que ia ganhar seus vôos sozinho, ia passar por uma empresa gigante pra ver qual era, mas todo mundo sabia que não ia ficar por lá. Depois porque profissionalmente a gente já sabia que ele ia desabrochar, mas pessoalmente que aquele tímido ia virar performancer ‘evangelizador’ foi um susto que tive que me controlar pra não externar…)
Voltando ao motivo do barulho: a já habitual discussão Flash x html5! Voltamos ao assunto absurdamente pertinente da morte ou não do Flash. Estamos às voltas com esse tema há algumas edições dos nosso encontros mensais. Quando começou a pergunta era sobre como escolher entre Flash e html5 e quais critérios adotar (na época –há dois meses! – fazia sentido o ponto interrogativo)
Desde então estamos acompanhando de perto a bendita discussão Flash x HTML, que há três Convescotes vem pautando nossas conversas, em compasso ritmado com o resto do mundo, que só discute isso. Vivemos nos últimos Convescotes a barreira imposta pela Apple ao Flash, seguido do pavor que os clientes da Caos! imediatamente começaram a ter de que “os seus clientes, por sua vez, não conseguissem ver seus sites de um iphone”, seguido da mania nacional “eu quero site em html5”, seguido do desespero dos designers que prezam pela interação “html 5 não está nem perto de ficar pronto para isso”, seguido da entrega de pontos por parte da Adobe “ok, não vamos entrar na briga, desistimos de atualizar flash para mobiles”, seguido da conclusão dos designers “putz, vamos ter que fazer em html 5, do jeito que der, o jeito é correr pra estudar isso e quem sabe em 2025 a linguagem vai estar pronta”.
Eu, de longe ouvindo isso, penso em dizer: Hello, se isso tudo aconteceu em 2 meses, vocês acham mesmo que prever qualquer coisa pra 2013 faz sentido? Mas fico caladinha, esperando a evolução do processo.
O próximo convescote vai ser Convesculto = Convescote + amigo oculto. Alguns chamariam Convesecret = Convescote + amigo secreto (com a piada do sócio secreto), e mais variações sobre o tema. Não vejo a hora de ganhar mais uma cueca!!!!








